Vem o cheiro da chuva,
bocejo
A cidade fede.
Cheiros se misturam, se concentram, se espalham com o vento,
Numa esquina, um cheiro forte,
Na outra rua, cheiro de comida na panela,
Tempero
Passa um moço apressado, perfumado, engravatado
No bar da esquina da rua movimentada,
O cheiro de óleo, coxinha, pastel
A cidade fede
quarta-feira, 14 de março de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Um, Uma, Um
Um dia,
Uma noite,
Uma tarde,
Um momento,
Um refresco,
Um vento,
Um desejo,
Um som,
Uma letra,
Uma pessoa, duas, três,
Quatro.
Uma história, um sonho, uma lembrança,
Uma realidade,
Calor.
Uma noite,
Uma tarde,
Um momento,
Um refresco,
Um vento,
Um desejo,
Um som,
Uma letra,
Uma pessoa, duas, três,
Quatro.
Uma história, um sonho, uma lembrança,
Uma realidade,
Calor.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Poetas
Texto retirado do livro Vida e Poesia de Olavo Bilac.
Nós, os escritores, temos uma simpatia especial pelos poetas. Eles são os nossos irmãos injustiçados, que sofrem mais porque sentem mais. Enquanto costumamos agir em função do cérebro, os poetas vivem para o coração e pelo coração. Somos, quase sempre, materialistas. Adoramos o conforto, os prazeres dos sentidos. Acreditamos nas coisas que vemos, que sentimos ou que podemos apalpar. Eles, entretanto, são os grandes loucos, os grandes sonhadores. Ignoram as leis da lógica. Possuem a vidência de um cosmo indefinível, todo feito de névoas e visões sobrenaturais.
Este livro foi escrito por um amante da Poesia, porém da alta, da verdadeira, da imorredoura Poesia. Porque os versos que andam por aí, infestando os suplementos literários, podem ser tudo, até mesmo o idioma javanês, menos aquilo que pretendem ser: uma mensagem de emoção e de beleza.
Querem renovar a poética? Querem abolir as regras acadêmicas? Detestam o Romantismo, o Simbolismo, o Parnasianismo e outros “ismos”? De acordo. A arte não deve sujeitar-se a nenhum dogma religioso, a nenhuma camisa de força que possa conter a livre expansão dos seus gestos. Mas, não sejam néscios ou charlatães! Abandonem esses ares de gênios incompreendidos, pois vocês não são poetas, são poeticidas...
Ah, Poesia! Como exprimir o meu imenso nojo, o meu absoluto desprezo por todos os bárbaros que te cobriram com um manto de excrementos? Radiosa Poesia! Pura e inefável Poesia! Ainda haverás de caminhar no meio do povo, de fronte erguida! Todos se inclinarão à tua passagem, reconhecendo a supremacia e o sortilégio do teu verbo!
Esta obra nasceu da minha velha admiração por Olavo Bilac. Não que eu o considere o nosso maior poeta. Mas ele foi, sem dúvida, um autêntico poeta, na mais completa acepção do vocábulo.
O que me fascina, em Bilac, é sua coerência, o seu destino de esteta, de homem que abominou a vulgaridade, que nunca traiu o ideal.
Agora que se aproxima o primeiro centenário do seu nascimento, ofereço este livro aos meus patrícios, a fim de prestar uma homenagem à sua nobre figura de artista.
É preciso observar, todavia, que ele não foi apenas um exímio virtuose do verso, um prosador terso e elegante.
Bilac amou o Brasil como poucos o amaram. Procurou revitalizar as energias do nosso povo. Solteirão, casou-se com a pátria. E fez dela o motivo permanente das suas preocupações, dos seus devaneios. Desejava, no seu íntimo, que a nossa terra fosse forte para ser boa, armada para ser justa, e rica para ser generosa.
Nesta época absurda, que consagra o apedeuta e condena ao ostracismo os cidadãos de talento e de caráter, em que os grandes homens do nosso país são os jogadores de futebol, em que a mocidade se mostra tão imbecilizada e sem fibra, época babilônica que endeusa o sexo e transforma a política numa transação financeira, nesses tempos dissolutos, vergonhosos, de canalhocracia, inculta e arrivismo, é sobretudo consolador evocar o vulto de Olavo Bilac, um poeta que confiou no futuro da sua terra, que consumiu os derradeiros anos de sua existência na tarefa de acender, no peito dos brasileiros, a sacrossanta labareda do civismo.
Nós, os escritores, temos uma simpatia especial pelos poetas. Eles são os nossos irmãos injustiçados, que sofrem mais porque sentem mais. Enquanto costumamos agir em função do cérebro, os poetas vivem para o coração e pelo coração. Somos, quase sempre, materialistas. Adoramos o conforto, os prazeres dos sentidos. Acreditamos nas coisas que vemos, que sentimos ou que podemos apalpar. Eles, entretanto, são os grandes loucos, os grandes sonhadores. Ignoram as leis da lógica. Possuem a vidência de um cosmo indefinível, todo feito de névoas e visões sobrenaturais.
Este livro foi escrito por um amante da Poesia, porém da alta, da verdadeira, da imorredoura Poesia. Porque os versos que andam por aí, infestando os suplementos literários, podem ser tudo, até mesmo o idioma javanês, menos aquilo que pretendem ser: uma mensagem de emoção e de beleza.
Querem renovar a poética? Querem abolir as regras acadêmicas? Detestam o Romantismo, o Simbolismo, o Parnasianismo e outros “ismos”? De acordo. A arte não deve sujeitar-se a nenhum dogma religioso, a nenhuma camisa de força que possa conter a livre expansão dos seus gestos. Mas, não sejam néscios ou charlatães! Abandonem esses ares de gênios incompreendidos, pois vocês não são poetas, são poeticidas...
Ah, Poesia! Como exprimir o meu imenso nojo, o meu absoluto desprezo por todos os bárbaros que te cobriram com um manto de excrementos? Radiosa Poesia! Pura e inefável Poesia! Ainda haverás de caminhar no meio do povo, de fronte erguida! Todos se inclinarão à tua passagem, reconhecendo a supremacia e o sortilégio do teu verbo!
Esta obra nasceu da minha velha admiração por Olavo Bilac. Não que eu o considere o nosso maior poeta. Mas ele foi, sem dúvida, um autêntico poeta, na mais completa acepção do vocábulo.
O que me fascina, em Bilac, é sua coerência, o seu destino de esteta, de homem que abominou a vulgaridade, que nunca traiu o ideal.
Agora que se aproxima o primeiro centenário do seu nascimento, ofereço este livro aos meus patrícios, a fim de prestar uma homenagem à sua nobre figura de artista.
É preciso observar, todavia, que ele não foi apenas um exímio virtuose do verso, um prosador terso e elegante.
Bilac amou o Brasil como poucos o amaram. Procurou revitalizar as energias do nosso povo. Solteirão, casou-se com a pátria. E fez dela o motivo permanente das suas preocupações, dos seus devaneios. Desejava, no seu íntimo, que a nossa terra fosse forte para ser boa, armada para ser justa, e rica para ser generosa.
Nesta época absurda, que consagra o apedeuta e condena ao ostracismo os cidadãos de talento e de caráter, em que os grandes homens do nosso país são os jogadores de futebol, em que a mocidade se mostra tão imbecilizada e sem fibra, época babilônica que endeusa o sexo e transforma a política numa transação financeira, nesses tempos dissolutos, vergonhosos, de canalhocracia, inculta e arrivismo, é sobretudo consolador evocar o vulto de Olavo Bilac, um poeta que confiou no futuro da sua terra, que consumiu os derradeiros anos de sua existência na tarefa de acender, no peito dos brasileiros, a sacrossanta labareda do civismo.
FERNANDO JORGE
São Paulo, 29 de março de 1963
domingo, 27 de novembro de 2011
Palavras de sabedoria, Dalai Lama
Se todos os dias nos analisarmos com cuidado e atenção, verificando nossos pensamentos, nossas motivações e suas manifestações no comportamento externo, abriremos em nosso íntimo uma boa possibilidade de fazer mudanças e efetuar um aprimoramento pessoal. Embora eu próprio não possa afirmar com toda a confiança que tenha feito algum progresso notável no decorrer dos anos, meu desejo e minha determinação de mudar e melhorar são sempre firmes.
Desde o momento em que acordo até a hora de dormir e em todas as situações da minha vida, sempre tento analisar minhas motivações e ser meticuloso e atento a cada momento. Pessoalmente, acho que isto é de grande utilidade para minha vida.
Do livro: Sua Santidade, o Dalai-Lama. Palavras de sabedoria.
Desde o momento em que acordo até a hora de dormir e em todas as situações da minha vida, sempre tento analisar minhas motivações e ser meticuloso e atento a cada momento. Pessoalmente, acho que isto é de grande utilidade para minha vida.
Do livro: Sua Santidade, o Dalai-Lama. Palavras de sabedoria.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
A Saudade
A saudade é coisa boa de sentir.
Mas não sempre,
É boa, e só.
A saudade vem de repente,
E de repente vai embora,
Pra voltar mais tarde,
Com mais força.
Se não tivesse a saudade,
O que seria do reencontro?
Do tempo?
Da despedida?
Nada teria sentido.
A saudade dá sentido para tudo.
A saudade vai ficar sempre,
Mesmo que a saudade seja de coisa não muito boa,
Sinto saudade,
Sinta saudade.
Mas não sempre,
É boa, e só.
A saudade vem de repente,
E de repente vai embora,
Pra voltar mais tarde,
Com mais força.
Se não tivesse a saudade,
O que seria do reencontro?
Do tempo?
Da despedida?
Nada teria sentido.
A saudade dá sentido para tudo.
A saudade vai ficar sempre,
Mesmo que a saudade seja de coisa não muito boa,
Sinto saudade,
Sinta saudade.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Em Determinado Momento
Em determinado momento me encontro em meio a jornais, palavras, palavras, letras, cores, tinta.
Em determinado momento me encontro em meio a música, barulho, palavras, passos, pessoas.
Em determinado momento me encontro em meio ao silêncio, introspecto, relaxamento, sossego.
Em determinado momento me encontro perto, aperto, desperto, converso, disperso.
Em determinado momento estou caminhando, correndo, gritando, parando, atravessando.
Em determinado momento estou atrás, na frente, ao lado, por baixo.
Em determinado momento estou, sou, fico, vou. Mas volto.
Em determinado momento me encontro em meio a música, barulho, palavras, passos, pessoas.
Em determinado momento me encontro em meio ao silêncio, introspecto, relaxamento, sossego.
Em determinado momento me encontro perto, aperto, desperto, converso, disperso.
Em determinado momento estou caminhando, correndo, gritando, parando, atravessando.
Em determinado momento estou atrás, na frente, ao lado, por baixo.
Em determinado momento estou, sou, fico, vou. Mas volto.
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